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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dores que chamam palavras

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A primeira dor que conheci que chamava uma palavra foi AZIA.
A dor, a queimação aquilo tudo que ardia no estomago tinha que ter um nome, e tinha. Assim que começou a queimar, eu sabia aquilo só podia ser azia.
Com o tempo a azia trouxe outro nome de dor, GASTRITE era ele.
E pouco tempo depois, minha mãe me explicava que uma nova dor que eu sentia quería dizer que eu tinha virado mocinha. Instintivamente concluí que só podia ser a tal da CÓLICA que tanto se falava.
Muito tempo se passou até eu conhecer uma nova dor que chamava palavra. Eu estava morando sozinha nos Estados Unidos, e sentia muito mais que saudade, e pra piorar não existia uma palavra em inglês pra dizer que aquela dor toda que meus olhas estampavam era saudade. Eu me sentia doente. Doente e só minha casa me curaria. Descobri assim o nome em inglês pra dor que eu sentia: HOMESICKNESS.
Mais um longo período sem dores que não tinham nome. E um dia, veio uma dor, uma dor tão forte, quase destrutiva que me arremessou ao chão, e em lágrimas eu apertava as mãos contra a cabeça, ENXAQUECA pareceu caber certinho pra descrever aquela que só poderia ser a mais forte das dores.
RINITE é outra palavra que apareceu, uns dizem que ela trouxe a enxaqueca, mas eu sei que ela sempre esteve ali. A enxaqueca só a libertou pra me por de cama.
Mas de todas essas é uma dor que não dói que todos os dias prende meu fôlego. Não é medo, também não é ansiedade. Não é DOR, não. Definitivamente não é dor. O nome dela, é TUMOR.