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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

repetencias

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Eu queria ter dito que o amava,
mas morria de medo de soar frágil
então me escondi no teclado
e escrevi.
Soei forte como não sou.
Conjuguei o verbo no tempo errado
fiz pensar que acabou,
que o tempo levou quem amou.
Fico assim,
inapta para o mundo real
despreparada para o amor
dando murros em ponta de faca
chorando pelo que se perdeu
mandando cartas que não se leem
cantando canções velhas
lendo poesia barata
bolando planos mirabolantes
para uma fuga incrível
de uma vida
que não me cabe mais.
Não sei se é essa vida
que está grande demais pra mim
eu eu pra ela.
Mas o certo é,
não nos vestimos mais,
não somos mais o mesmo número.
Assim estou eu
Extrangeira ao meu próprio mundo.
Alheia à vida que forjei.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

sem volta

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Fui a ultima a sair,
exausta fiquei arrumando os últimos detalhes do roteiro.
Comecei a descer as escadas apenas concentrada no cansaço do dia, que já se estendia muito mais do que eu esperava,
Mas no meio dela me dei conta,
hoje era o ultimo dia que o veria.
Quis voltar
quis desfazer tudo que o silêncio construiu nestes doze meses.
Mas de nada adiantaria.
Ele não estaria mais lá.
Nos próximos dias iremos para locações diferentes,
ele já havia deixado claro que não viria ao dia das exibições dos filmes.
E eu não sei o que será de mim ano que vem.
Parei no ultimo degrau com o estomago embrulhado,
faltou força para chegar ao primeiro piso.
Fiquei ali, parada no ultimo degrau
sabendo que quando terminasse de descer encerraria um dos capítulos mais dificeis da minha vida.
Nossa convivência diaria. Sem nos permitimos ao menos um olhar.
Nós nunca resistimos ao olho no olho.
Sentei no último degrau.
A universidade vazia me encarava com julgamento e desprezo.
Esperei que as forças me viessem, respirei fundo
levantei,
e desci aquele último degrau lentamente.
Andei devagar, me despedindo da saudade que senti dele durante esse ano todo.
O moço da recepção perguntou se eu estava bem, se precisava de um copo d'água, agradeci e continuei.
Não haveria como explicar que a minha dor, era só dor de despedida.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dores que chamam palavras

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A primeira dor que conheci que chamava uma palavra foi AZIA.
A dor, a queimação aquilo tudo que ardia no estomago tinha que ter um nome, e tinha. Assim que começou a queimar, eu sabia aquilo só podia ser azia.
Com o tempo a azia trouxe outro nome de dor, GASTRITE era ele.
E pouco tempo depois, minha mãe me explicava que uma nova dor que eu sentia quería dizer que eu tinha virado mocinha. Instintivamente concluí que só podia ser a tal da CÓLICA que tanto se falava.
Muito tempo se passou até eu conhecer uma nova dor que chamava palavra. Eu estava morando sozinha nos Estados Unidos, e sentia muito mais que saudade, e pra piorar não existia uma palavra em inglês pra dizer que aquela dor toda que meus olhas estampavam era saudade. Eu me sentia doente. Doente e só minha casa me curaria. Descobri assim o nome em inglês pra dor que eu sentia: HOMESICKNESS.
Mais um longo período sem dores que não tinham nome. E um dia, veio uma dor, uma dor tão forte, quase destrutiva que me arremessou ao chão, e em lágrimas eu apertava as mãos contra a cabeça, ENXAQUECA pareceu caber certinho pra descrever aquela que só poderia ser a mais forte das dores.
RINITE é outra palavra que apareceu, uns dizem que ela trouxe a enxaqueca, mas eu sei que ela sempre esteve ali. A enxaqueca só a libertou pra me por de cama.
Mas de todas essas é uma dor que não dói que todos os dias prende meu fôlego. Não é medo, também não é ansiedade. Não é DOR, não. Definitivamente não é dor. O nome dela, é TUMOR.

domingo, 29 de agosto de 2010

Punhais nas mãos de crianças

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Hoje ela contou
eram já vinte anos
Vinte anos pareciam muitos
quando assim, contados juntos.

Era apenas uma criança
quando tudo começou,
e ainda hoje não entendia
o motivo daquilo tudo.

Sentia-se acuada
e como um cachorro sempre preso
com violencia reagia às pedras
que se lhe atiravam.

Sua vontade era de agarrar um punhal
e cravar bem fundo na dor
na dor que sentia, ou em quem a impunha
Só queria não doer mais.

Como uma criança reagia,
chorava, gritava. E sabia disso.
Mas sabia também, que as agressões
começaram antes de conhecer
Um modo mais maduro de reagir.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Minha prisão

Depois de algum tempo no escuro, a visão se adapta.
Acostumamo-nos com a ausência da luz.
Somos capazes de passar muito tempo ali, sentados naquele canto escuro sem resistência, sem atitude, sem consciência.
Fazer, falar, pensar, tudo vem pronto, desde pequenos, tudo vem pronto.
Indagações nunca foram permitidas.
Hoje, eu descobri o porquê. Dúvida é a chave. Abre a porta desse lugar sombrio e permite que os raios entrem.
É fantastico, único, intenso, raios indiscritivelmente maravilhosos.
Quanto tempo para poder contemplá-los. E pasmem, a chave estava o tempo todo em minhas mãos, e eu, sentadinha no escuro, demorei pra perceber.