segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Casca de ferida

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Hoje, com cuidado eu arranquei as cascas de uma ferida.
Eu sei que provavelmente ela me protegia,
não deixava exposta a ferida que teima em demorar muito mais do que eu costumo suportar para cicatrizar.
Mas não aguentei mais vê-la ali,
então mergulhei em água morna,
e aos pouquinhos,
primeiros pelos cantos arranquei-a dali.
Por baixo, parte da ferida mostrava-se já pronta pra enfrentar as intempéries que vem.
Outras partes ainda sangram.
E agora uma nova casca se formará,
menor,
um pouco mais fina talvez.
Talvez não.
Mas eu precisava tira-la dali.
Eu precisava.

Amor imperfeito

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Só nas útimas duas ou três semanas eu conheci uns quatro "amor da minha vida".
Tenho medo do dia que eu vou começar a levar a sério esse tal amor.

domingo, 29 de agosto de 2010

Punhais nas mãos de crianças

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Hoje ela contou
eram já vinte anos
Vinte anos pareciam muitos
quando assim, contados juntos.

Era apenas uma criança
quando tudo começou,
e ainda hoje não entendia
o motivo daquilo tudo.

Sentia-se acuada
e como um cachorro sempre preso
com violencia reagia às pedras
que se lhe atiravam.

Sua vontade era de agarrar um punhal
e cravar bem fundo na dor
na dor que sentia, ou em quem a impunha
Só queria não doer mais.

Como uma criança reagia,
chorava, gritava. E sabia disso.
Mas sabia também, que as agressões
começaram antes de conhecer
Um modo mais maduro de reagir.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Girassol

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Acontece que nosso problema é justamente termos diferenças
e
claro semelhanças.

E hoje, enquanto nós dois
plantamos girassóis,
Você passa seus dias ouvindo cidade negra.
E eu,
passo minhas noites ouvindo Ira.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Copa do mundo em Curitiba? Entendendo pq não...

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Lance-se ao futuro comigo, vamo à dois mil e catorze:
Bem vindos ao ano da copa do mundo no Brasil.
Sim amiguinhos, nos ultimos quatro anos nós vimos aeroporto militar ser camuflado em comercial, traficantes tirando férias e a segurança dos sonhos do Blater acontecendo, estádios reformados, pobres maquiados, tudo pra ninguém notar que um evento desse porte não cabe por aqui.
Mas todo mundo esqueceu dos curitibanos.

PAUSA
Eu cheguei a conclusão do problema que aflige este povo antipático.
O problema é que curitibano é inteirorano.
Nada contra o interior, a cidade que cresci tem 17 mil habitantes. Na época eram 3 mil.
Mas é exatamente o fato de eu vir do interior que me ajuda a entende-los.
Lá em Candói, só tem uma igreja, então quando alguém de fora surge, e o morador da a informação: é depois da igreja. é uma informação bastante razoavel, já que dali (nõa importa onde ele esteja) dá de ver a igreja, e, depois da igreja não é um espaço muito grande, fica fácil de se achar o que se procura nas três quadras que ali existem. (o candói cresceu, mas meu candói ainda é aquele de 1992)
O curitibano, é um candoiano em cidade grande
Acho que isso explica muito de como um curitibano dá uma informação né?!
Não vou entrar no mérito boa educação aqui...
isso é assunto pra outro post revoltado...

PLAY
Então, são eles mesmos que vão arrebentar com todos os esforços públicos e privados de se levar uma boa imagem desta copa pra fora.
Amiguinhos, já que estamos nessa viagem astral, venha mais longe comigo.
Imagine você, que você está na Praça Rui Barbosa ali na frente da banca de revistas, precisando ir para um lugar qualquer, qualquer lugar, voce irá pedir informação.
Nisto, você avista um grupo de extrangeiros, e todos querem ir ao mesmo lugar que você.
ótimo você pensa, curitibano é estúpido e sem noção, mas é com outros paranaenses, ou no máximo com outros brasileiros, com extrangeiros a coisa será diferente. Vou me juntar a eles e assim consigo ouvir a informação.
Ahhh, sinto até um dózinho futurístico de você, mas ao menos, é um momento de grande diversão que só intercambistas, novaiorquinos e tripulantes de navios já viram.
Como cada nacionalidade reage a esse tipo de filhadaputice:
Voltando à história:
Você e seus novos amigos extrangeiros foram pedir informação à um curitibano padrão.
Ele/a sem olhar pra você e seus amigos exóticos, aponta numa direção qualquer e explica pra virar numa rua que vocês não sabem qual é e enquanto aponta na direção oposta à primeira diz pra virar depois de uma igreja qualquer.
Agora,
como cada um desses extrangeiros reagirá?
Tô numa vibe João Cleber, e vou deixar pro próximo capítulo.
Não perca!
Depois dos intervalos comerciais!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Copa do mundo em Curitiba? Acho melhor não.

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Eu e a Diva tínhamos pensado em transformar nossa idéia em curta-metragem e vender pra passar na Revista RPC com direito a Diogo portugal e tudo mais. Depois, como somos muito das bardosa achei que estaria fazendo um bem pro mundo se eu só sugerisse a matéria pra RPC (a globo aqui no Paraná), mas os dias passaram, uma preguissera tomou conta e eu abandonei meus planos de salvar o maior evento do mundo.
Mas hoje um curitibano atravessou meu dia, e me fez relembrar minhas crises existenciais e como o curta dá muito trabalho e ninguém lê email em redação de emissora mesmo, pensei: é isso aí, o que importa é a internet ficar sabendo né! E cá estou eu, dando um tempo na minha vibe poética e retomando minha vibe, eu me implico com tudo.
Sim,
Se você é de outro estado você provavelmente deve estar pensando, como assim? Existe algo que possa impedir a perfeição da copa em Curitiba? Aquela cidade linda, arborizada, com um sistema de transporte eficiente, a população que fala todas as línguas do mundo, e blá blá blá?
SIM!
Os curitibanos.
Curitibacas como são carinhosamente denominados pelo restante do estado são um povinho que vai inviabilizar a copa, juro. Podem escrever o que estou falando, aliás nem precisa, eu mesma estou escrevendo.
Há algumas semanas eu precisei chegar em um lugar qualquer em Curitiba.
O Google maps informou 20 minutos a pé. Supimpa, lá fomos eu e a Diva, as tal lugar.
Começou nossa odisséia, sim, porque teve todos os elementos de uma odisseia que se possa querer.
Primeiro problema: As ruas em Curitiba mudam de nome. Simples assim, tá indo com um nome, e do nada, pelo capricho de alguém que não tinha nada melhor pra fazer, a rua muda de nome.
Seu mapinha do Google maps vai pro lixo nesse exato momento.
Segundo problema: CURITIBANOS, e pra mim a razão do porque a copa devia ser transferida pra Floripa. Você pergunta pro individuo como faz pra chegar em tal rua (seu ponto de referencia) E, o curitibano, sem te olhar responde: você vai pela rua José da Silva, vira na igreja do santo sudário, e na rua Pedro das Perera você vai até a praça da pracinha. Isso tudo apontando pro lado oposto do lado onde o mapa, e o bom senso te dizem pra ir.
Como você não é de curitiba (e todas as pessoas que vão à copa, não serão também) você não faz idéia o que essas referências são, e capricha na cara de: quê?
A pessoa repete exatamente as mesmas informações, desta vez apontando pra um terceiro lado, que nõa é nem o que você sente que deve ir, nem o primeiro que ela apontou e te lança aquele olhar: saia daqui, você está atrapalhando meu dia.
Você sai, afinal, gente estupida tem em todo lugar né.
Depois de agradecer e não ouvir um denada, não ver um sorriso e sentir que a pessoa, chamaria a polícia se você não fizesse isso você segue a sua intuição e vai indo.
O que você não sabe, é que gente estupida tem sim em todo lugar, mas que Curitiba só tem gente estupida.
Algum tempo depois você encontra a tal igreja, e sem saber pra onde ir, porque:
FATO: curitibano não conhece palavras como ESQUERDA ou DIREITA.
você pensa ao ver uma pessoa que te parece ser uma alma boa, ooooolha, minha salvação.
Ao menos foi o que nós pensamos.
Ah, curitiba, acabando com sonhos e ilusões~desde sempre não é mesmo.
Poisé, outro fato de curitibano, a gente, ou no seu caso, você, quando for usar esse manualzinho pra entender porque deveriam transferir a copa pra Floripa, vai descobrir.
Quando o curitibano aponta: é reto! ele na verdade está dizendo: vire.
Claro, que você não sabe se pra esquerda ou direita, porque não são parte do que se pode esperar ouvir por lá, não é mesmo.
Outra coisa que percebemos é que as ruas aqui no interior (e quase que no resto do mundo se eu bem me lembro das minhas andanças) são retas. Elas quando se cruzam, são duas ruas, e forma-se assim uma esquina. RUAS PARALELAS NÃO SE CRUZAM.
Não em curitiba.
Então a rua que você estava indo, mundou de nome, e você está lugar certo por pura sorte, já que as informações dadas não te levariam ao batel, mas ao litoral do Paraná, e pela terceira vez (e ultima) você resolve pedir uma informação. Santa inocência.
A pessoa aponta e fala: é só pegar aquela rua ali!
O moço saiu andando e nos deixou com lagrimas nos olhos.
A rua fazia curva e depois se cruzava numa mesmo e único cruzamento de 4 ruas.
As paralelas se invertiam e uma meio se misturava com a outra, e como o moço não falou as três palavras chaves da informação: esquerda, direita e paralela nós não tínhamos a menor ideia de pra onde ir.
Nem você terá quando for a sua vez.
E nenhum dos turistas que vierem pra copa também terão.
Quando 50 minutos depois achamos a rua outro pensamento bobo veio a nossa cabeça: agora é só seguir os números.
Não,
Você não está entendendo,
não é assim em Curitiba.
Mas claro que a gente levou um tempo pra perceber.
Pense comigo:
A plaquinha está escrito assim:
Rua do nome de alguém
133 à 233
Você não entenderia que se você seguisse essa rua,
onde você está, os números deveriam ser o um três três, indo pro dois três três?
é
Nós também
E os pobres turistas da copa vão cometer o mesmo erro bobo.
Não é isso.
E não ouse perguntar porque o curitibano, grosso, e estressado não vai se dar ao trabalho de parar pra responder a sua pergunta.
Três quadras pro lado errado depois, voltamos pensando em como isso é um problema.
Em nossas andanças pelo mundo,
sabemos que o carioca, só não te põe no carro dele pra te levar onde você precisa ir porque você pode ser um assaltante.
Em nova York, o novaiorquino, vai por seu mapa no chão e junto com você entrar nele pra te dar uma melhor noção da coisa.
Em bostom, os caras REALMENTE te levam lá
Os indianos, vão te explicar oito vezes pra garantir que você entendeu o sotaque deles,
os japoneses vão entrar na internet no gadget super massa que eles teem e você nunca tinha visto, e te mostrar o caminho mais rápido.
O mexicano, tem um amigo taxista ali do lado, e caso você queira mesmo ir a pé, por apenas um dolar ele acompanha você até lá.
O inglês, que sim, é mais simpático que o curitibano, vai desenhar pra você os erros do google maps, e quando e onde as ruas mudam de nome.
Os russos assim como os mexicanos vão te acompanhar, vão te oferecer a melhor vodka que você já bebeu na vida, e pegar seu msn.
Os argentinos, vão dar a informação. Simples e eficiente assim.
Os paraguaios te dão a informação, e ainda te fazem comprar um pendrive.
Os italianos, explicam o erro do seu mapa, e falam o nome das ruas, com direitas e esquerdas e fazendo você repetir depois pra garantir que você memorizou.
Os romenos além de dar as informações de modo bastante similar aos italianos te roubam um beijo na boca que faz você querer saber onde fica a Romenia pra ir pra lá.
Os alemães, diferem-se dos curitibanos pelo que lhes falta: são secos também, mas: respondem o bom dia, conhecem direita e esquerda, olham pro interlocutor, e no final respondem ao obrigado.
E, os paulistas além de te dar a informação vão te falar de alguma pizzaria boa ali perto.
Mas os curitibanos,
eles tem aquela prepotencia de se achar os melhores do mundo.
São estupidos,
não sorriem,
não tem noção de coisas como: direita, esquerda, paralelas, numeros, quantidade de quadras ou ruas...
Enfim,
muitos dos problemas não podem ser resolvidos, como as esquinas de três ruas, enquanto que a numeração nas placas, e as ruas mudarem de nome, esses podem sim.
AGORA, VAI POR MIM:
Quatro anos é pouco tempo pra se educar uma cidade inteira.
Gentilesa e bom-senso, são fundamentais pra uma cidade que quer receber um evento do tamanho da copa do mundo.
E isso, pessoalmente eu acho que não tem campanha de concientização que dê conta de fazer, vem de berço, mas bem que se podia tentar né.
Ou então mudar a copa pra Floripa.




Texto sem correção nenhuma, pq tá longoo e eu nem to afim de reler..

quinta-feira, 29 de julho de 2010

longe

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Não é que sumi,
eu só não sabia mais ser daqui.
Não é que voltei
eu nem voei.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

cartas humanas

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Hoje as cartas que escrevi parecem sem sentido.
Re-li, e não parecem mais cartas de amor,
não soam nem relatos de dor.
Talvez não tenha sido mesmo um coração partido.

Eu as escrevia todos os dias.
Mas nunca tive coragem de enviar,
de alguma forma eu sabia que a dor iria passar.
E recomeçarmos nem fazia mais parte das minhas fantasias.

Fico pensando se você também me escreveu.
Ou como foi que você de mim se livrou,
se o amor um dia passou.
Eu nunca recebi nada do que você prometeu.

A minhas eu guardo quase que escondidas.
Pra que assim eu possa passar sem vê-las,
e evitar as tentações que vem com elas.
como troféu, como relicário da nossa relação falída.

O tempo não acumulou apenas cartas e anos.
Acumulou a certeza que nossas falhas,
nossos medos, nossos fracassos e nossas tralhas
foram carimbos no passaporte que nos fez humanos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

babylon can't translate me today

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Of course it hurts me, how could you consider that it wouldn’t? You should already know that I’m easily hurtable.
But you don’t. Some how, I always knew that, it’s just hard to believe, maybe. To believe that you choose to not known me.
I’m sitting here, like a kid, waiting for you, begging for you, needing you. And you just choose to not come. Cuz’ I know
I know, that some how you can hear me.
You can feel it; you can feel the pain inside my chest.
But you do have a choice.
And do did choose to not come.
All I always waited for, as for you to come,
All I always needed was your hand, cuddling me.
And you never came.
I feel so alone, and you’re the only one that could make this loneliness go away.
You said, I remember your voice saying those words. I remember, cu’z I knew that picturing that moment in my mind, would be the only way to make it last forever. I remember you, saying that you loved me. You did it, I remember.
I do.
I remember it every day, every single day.
I also remember that you always attempted to teach me, that people’s actions say more that their words, and, there’s a long, long time that your actions don’t say I love you, but I just cant believe than.
Your actions actually say go away, stay away so nobody will get hurt.
How come? If, I do?
Staying away from you hurts me, even more than everything you already did to hurt me.
I can’t remember your voice, or your perfume, or what you did to hurt me.
I just cant.
People say that you have changed, that you’re not the one that you used to be, that you’re not the one that I remember, that you’re not you. To me, it doesn’t matter, cu’z no matter how you are right now, no matter what you did that bruised me so badly, no matter who you changed yourself to, I don’t know either of you anymore, and now, the only thing in the hole world that breaks my heart, is that none of you is with me, the one that you used to be, the one I remember, the one you turned yourself to, or just you. None of you are here.
Because some people can have a choice, right?
I don’t.
And you did, choose somebody else over me. It’s so typical, you, are the one so typical.
Maybe that’s why people choose anything, anybody over me. I’m not typical, and, people like you just can’t stand for this, right?
And, above all, all, you wanna know what hurt’s me the most?
Is that I don’t know if this words are addressed for you, or for my mother.
Cu’z, you both did it.
You both left me waiting.
You both choose somebody else over me.
You both said I love you, but, both of you couldn’t perform like you did.
The love of my life,
My mother,
I don’t know how I let it happens, when I started to let people perform the same speech, why hurting me by choosing somebody else, the two of you.
Of course I cry.
That’s the thing I do. You should know me better. If you know strongest way to punch me, you should know how I react to it.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

sobre frio, sobre tudo, sobre versos

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Viver no sul, fez dela alguém com hábitos diferentes
dos tal país tropical.
Alguém que junto com os mimos de todos
ainda acrescentava, mimos que aquecessem.
Então, naquele dia
ela preparou tudo nos minimos detalhes.
No fogo, a lenha crepitava
e o calor aquecia
a tarde de inverno
Pela casa, com cuidado, ela arrumou, limpou,
perfumou, organizou.
Ainda um tanto de lenha extra, recolheu,
para que quando alguém chegasse, encontrasse
conforto, perfeição e calor.
O telefone tocou.
Era alguém avisando que em poucos minutos estaria em casa.
Ela então,
após conferir os últimos detalhes saiu.
Não lhe cabia mais aquele calor.
.
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Naquela noite gelada
Sobre tudo ainda ela vestiu o sobre-tudo de lã.
E sobre ele, aquela jaqueta que um dia
fora sua jaqueta de esquiar.
Com frio, vento e chuva,
tentava imaginar onde era o tal
país tropical que um certo alguem cantou
Seis graus, não lhe pareciam tropical.
Subiu na moto,
e guiando por instinto,
na neblina congelante que se erguia
foi ao encontro do ultimo calor que lhe restava
Naquela noite gelada,
só mesmo aquele vinho barato
seria capaz de aquecer.
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Sobre o teclado, os dedos pausavam imóveis.
E na mesa, a caneta jazia pausada sobre o velho caderno que um dia já lhe fora garantia de versos.
Nem mesmo a maquina de escrever empoeirada conseguia tirar dela uma única palavra.
Se nos primeiros dias, ela culpava o teclado por ter lhe roubado as palavras, agora, teclado, caneta, caderno e a velha máquina, a culpavam.
E ela,
desviava o olhar,
pois não era mais capaz de enfrentar as cobranças impiedosas,
daqueles que uma vez
lhe foram tão complacentes.
Talvez fosse mesmo culpa deles, e de sua complascencia.
Se ao invés de apenas deliciarem-se com as palavras que ela lhes confiava, tivessem ensinado-a, o que fazer, um caminho a trilhar.
Mas não.
Acomodaram-se em ser apenas continentes, de um conteúdo que quase sempre era dor.
E ela,
agora que desistiu da dor,
era então rejeitada,
pelo teclado, pela caneta,
pelo velho caderno.
E até,
pela maquina de escrever, um dia lhe jurou amor eterno.
Tudo por que ela,
naquele inverno, cansada de esperar
desistiu da dor.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

São Jorge e o Padeiro II

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Precisei sair. Fui entregar ao padeiro os sonhos de cristal. Ele disse que ninguém os faz como eu. Claro que não, sonhos de cristal só se fazem quando na lua nova São Jorge quase cai e derruba pó mágico. Com o pó, adubo a terra onde crescem as goiabas que feitas goiabada recheiam os sonhos.
Na volta, um homem caído lembrava São Jorge. Teria finalmente São Jorge caído? Teria um irmão gêmeo?
O homem agradeceu os dois sonhos e disse que não me preocupasse, nunca faltariam os ingredientes dos sonhos de cristal.
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Ele não caiu. Quando o dragão entrou para o convento, se jogou.
Mas deixou um sistema de vassouras, para o meu pó da lua nova. Ele sabia que se sentisse fome, não o negaria sonhos.
Pranteei não poder lhe dar todos os sonhos.
Dois sonhos bastam, ele explicou. Por isso só no meu quintal cai pó. E os sonhos de cristal recheados com as goiabas adubadas com pó mágico que cai pelo sistema de vassouras de São Jorge na lua nova, eu podia guardar pra mim, mas os vendo a troco de banana para o padeiro.
Afinal ninguém faz sonhos de cristal como eu.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

De volta às primeiras decisões

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Eu andava nas ultimas semanas com a impressão de estar carregando uma geladeira nas costas. Então, entregar o tcc foi um alivio danado né.
Junto com a pressão por terminar no prazo, (terminei com três minutos de antecedência), vinha uma série de problemas que me tirou o sono a fome, a sanidade mental, física...
Mas, agora com ele entregue, e o segundo pra ser iniciado só em algumas semanas, uma onda de claridade invadiu meus julgamentos que andavam beeem na penumbra.
Em hoje, conversando com um amigo, sobre algumas decisões que tomei, eu tentava explicar do porque seria inteligente não me jogar de cabeça na arte, e sim na publicidade...
Ai, lembrei de uma coisa que aconteceu há alguns anos à qual eu não andava dando valor...

É que, de volta no tunel do tempo, lá em 2007,
eu estava morando no exterior, trabalhando num navio cruzeiro, namorando um americano, de rolo com um romeno, de caso pensado em ficar pra sempre morando nas Ilhas Cayman, com oferta de emprego no México, com com pedido de transferência para a Italia encaminhado, e de cabeça feita que um dia eu ia morar na Nova Zelandia...
Eu estava decepcionadissima com algumas pessoas aqui na terrinha, chateada com minha familia, e irritada com a possibilidade de passar mais três anos na faculdade...
Eu estava decepcionada com Deus, refazendo meus conceitos de missão de vida, e entendendo como eu poderia um dia voltar a entender essa palavra...

Deixei tudo pra trás.
Pra voltar pro Brasil, terminar a faculdade de publicidade e trabalhar com Marketing.
Foi pra isso que eu voltei.
Deixava tudo pra trás, mas pra construir algo, e esse algo, era em publicidade, em Marketing.
Fazer faculdade de arte, era pra ser uma alternativa em caso de crise mundial, pra enriquecimento curricular, pra ter outra graduação, pra dar aula por prazer.

Mas eu me perdi nesses três anos e meio.
Quase abandonei o curso de publicidade,
e pra que?
Pra me dedicar integralmente a algo que, nunca teria sido motivo suficiente pra me fazer voltar.

Não que eu não ame a arte. Não que eu não adore de paixão dar aula.
Mas sou do tipo de pessoa que se o meu sustento viesse integralmente de aulas dadas, eu não faria direito. Ser professora é uma delicia, mas no meu caso, acaba tendo que ser a parada que eu faço pra desestressar de alguma outra coisa.

Aé, depois de todas essas percepções que ocorreram numa fração de segundo, fiquei pensando no quanto eu sou feliz por ter feito a escolha de voltar. E, claro, morro de saudade, as vezes de arrependimento, mas não é o suficiente pra me levar de volta.
E, com isso tudo, fiquei feliz por perceber que trancar a arte não é abandonar nenhum sonho, afinal esse não era o sonho que me motivou desde o principio. Era um complemento, um acessório, uma peça decorativa, um extra...

Por que sonho bom mesmo...
É com recheio de doce de leite.

domingo, 4 de julho de 2010

Inferno Astral

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ACABOU!
ENTREGUEI O TCC

quinta-feira, 1 de julho de 2010

limítrofe

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Vai chegar um ponto que será seu limite.
Um dia, você alcançará aquele momento em que
emocionalmente você não tem mais condições,
e físicamente, seu corpo beira a estafa.

E, entre um colapso nervoso,
e uma visita ao hospital, a vida continua pressionando
os prazos apertam ainda mais,
os oportunistas não perderão este momento singular
seus problemas familiares explodirão de vez.

Quando esse momento chegar,
é hora de entender,
que por mais que seja contra seus princípios
por mais que você acredite que não é assim
que os problemas se resolvem.

Não adianta mais se debater,
é hora de se dopar.

Assim, com remédio pra dormir,
remédio pra acordar,
remédio pra se concentrar
remédio pra não chorar
Remédio pra não morrer
remédio pra não matar
remédio pra comer
e remédio pra emagrecer

Você encontrará condições novamente
de alcançar os resultados que sonhou
uma vida inteira, mas que a pressão
final, quase arrancou de você.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Confissão em duas linhas

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Bem mais que o tempo que nós perdemos
ficou pra trás também o que nos juntou.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

deixa?

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Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Deixa eu gostar de você
Isso me acalma,
me acolhe a alma,
isso, me ajuda a viver.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

sobre a perda em família

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Liguei pra minha tia no domingo a noite, precisava pegar minha prancha que estava na casa dela, ela me chamou pra tomar sopa.
Perder a Mara, foi um absurdo tão grande que fez nós todos revermos nossos valores.

Todos, menos meu pai. Mas não se pode esperar isso de alguém como ele.

Ficamos, eu e minha tia, falando da bestialidade que foi essa morte.
Acho que ela também se perguntava do porque investimos tanto tempo em algumas amizades, e a família, a gente deixa no pause, como se fossem ficar ali pra sempre.

A Mara morreu nova. E viveu pouco.
Essa frase que ouvi no velório, martelou na minha cabeça a semana toda.
Além de ser jovens, e os jovens não deveriam morrer; a Mara nunca fez nada. Nunca fez nada de errado nem de certo. Isso tá me incomodando demais.
Ele viveu a vida toda entocada naquele sítio.
Mas não era alguém tipo de novela das seis, que aproveita as cachoeiras, os cavalos... Não. Ela não gostava disso. Vinha pra cá pra estudar, mas era isso só. Vir, e só.
Quando resolveu trabalhar, ela trabalhava e só.
Não consigo fazer isso ter a dimensão real, parece que eu a conhecia pouco, e por isso pensava isso dela. Mas não. A Mara nunca correu riscos, nunca quiz mais, nunca tentou.
E me dói tanto, que ela se foi absolutamente do nada.
De manhã ela estava bem, ao meio dia foi internada, e a noite ela nos deixou.

Na terça-feira, minha mãe me ligou, avisando que iria lá.
Minha mãe definitivamente não é uma pessoa com tato. E por mais que fosse a irmã dela que tinha perdido uma filha, no dia do velório ela só pensou nela, se doía muito pra ela, ela tinha o direito de ir embora.
E eu, me vi ensinando minha mãe a se portar num momento assim.
Ela devia ter me ensinado né, ter dito, olha filha, nessa hora não existe nada que você possa dizer ou fazer. Então não diga, nem faça. Tá bom!
Nõa diga que foi a vontade de Deus, isso dói mais. Não diga que a hora chegou, porque não é justo a hora dela chegar antes da minha, não diga que com o tempo vai doer menos, porque não vai.
Ela vai querer falar, por pra fora.
Escute.
Só escute.
Só escute.
Se ela não quiser falar, não obrigue.
Seja o ombro que ela precisa.
Mas minha mãe nunca falou isso.
Eu que tive que falar pra ela.
E brigar ainda: não mãe, não fale da vontade de Deus... Eu sei que você pensa que foi, mas isso não ajuda e só atrapalha... eu sei mãe... tá bom... mas não fale... Mãe, e se fosse um filho seu? Ia ser justo ele ter levado e te deixado?

Confesso que eu achei que a esse ponto já teria recuperado minha fé. Mas os meses, um após o outro têem passado, e cada dia menos eu a encontro.
Confesso, que a fé dos outros me irrita. E até que quando algum desavisado cita deus nos comentários do blog tenho vontade de ir no blog da pessoa e cuspir todas as merdas que ele tem feito...
Confesso, que já não tenho mais inveja dos meus amigos quando eles falam de deus, tenho pena.
Perdermos a Mara é absurdo.

O irmão dela trabalha com segurança, e já passou por uma meia duzia de tiroeios.
O meu irmão já cheirou/fumou/injetou/lambeu/chupou todos os tipos de substancias que existem e tá ai. S emarcar pode ser doador de orgãos, de tanta saúde.
Eu peleio com um tumor a doze anos.
Enquanto a Mara, do dia para a noite.
Se foi.

Minha avó tem 90 anos, pesa uns 35 quilos, deve ter pouco mais de um metro e meio.
Semana passada, eu vi ela virar uma leoa. Pegar minha tia NO COLO, e ter a força que nenhum de nós encontrou naquele momento.

Confesso, que com tanta dor que passamos, doeu mais, ver o desrespeito das pessoas.
Vontade que eu tinha de abrir a cabeça da pessoa e gritar lá dentro, mandar calar a boca.
Dizer: olha, desce do palco. Pare que querer as atenções do mundo pra você.
Respeite.
Se você não sabe o que falar, nõa mude de assunto, não tente contar dos teus problemas.
N'ós perdemos a Mara.
A Mara,
você tá me entendendo? A Mara.
Não é certo você querer palco, quando eu preciso de colo.





À Mara.

domingo, 20 de junho de 2010

Abandono

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Ando relapsa é verdade. Sem foco, desacelerando.
Não consigo mais escrever, e nem é só no blog, ou no tcc. Pra mim escrever é pensar, então, não consigo mais pensar.
Passei os ultimos dias só observando pasma, já que não há nada que eu possa fazer.
Eu nunca quiz me jogar de nenhum abismo, eu só sentei na beirada enquanto pedaços importantes da minha vida alçavam voo livre antes da queda fatal.
Só nesta semana, eu: terminei com o Mark (ou seria ele comigo?). Me ví alvo de mentiras, e armações que culminaram na minha reprovação em composição em dança, passei muito mal e o médico disse que não posso tomar nada pra dor, enquanto estamos no experimental (...), fiquei a pé no meio da cidade, no meio da madrugada com a moto recém vinda da oficina quebrada, e, como se eu ainda não tivesse todos os problemas do mundo, minha prima faleceu.
Acho que tenho direito de estar atônita né? De estar chateada com quem não respeita minha dor, né? De querer um tempinho de chão antes de me levantar e recomeçar a caminhar, não é mesmo?
Não sei bem como as coisas vão ficar nas próximas semanas. Mas sei que vai ser bem dificil. Meus planos não envolviam ter que por a boca no mundo, pra poder fazer pelo menos o exame, porque eu tinha certeza passaria, e agora, tenho que brigar pra não reprovar. Meus planos envolviam estar com as entrevistas do tcc todas prontas, mas eles desmarcam e desmarcam. Meus planos eram começar o estágio nas férias, fazer a segunda fase do tcc sobre uma pizzaria, ir pra faca em setembro/outubro, ver o Mark em dezembro...
Meus planos eram, de almoçar na casa da minha tia no sete de setembro, comer o bolo do aniversário da Mara...

De tempos em tempos eu escrevo um texto assim. Acho que se eu procurar, em média, é de três em três anos.
É por isso que eu sei que logo as pernas firmam e eu saio andando de novo, eu sei que logo o Mark esquece isso tudo e a gente recomeça a novela, logo eu me irrito e saio com o primeiro cretino que cruzar meu caminho, logo eu provo que a história da cópia era invenção, eu sei que logo eu volto a escrever aqui tres vezes por dia, comentar os textos de todo mundo, e até a colocar fotos novas no orkut...

Mas é que no momento eu simplesmente não consigo.
Estou magoada com meio mundo, e ninguém nem nota.
Estou magoada com um aí que achou que o trabalho dele era mais valioso que a dor de uma outra.
Estou magoada com um aí que foi o primeiro a esticar a perna...
Estou magoada com um aí, que...
Bom.
Não tenho nem palavras pra explicar, o quanto essa pessoa me magoou.

Todos os dias recebo meu horoscopo por email, sempre mando pra lixeira antes de abrir, mas não marco como span. Ontem, precisei abrir. Diziam as estrelas que encerrava-se um ciclo doloroso, caudaloso e turbulento. Que eu logo começaria a colher, e que a passagem da lua pela casa nove hoje estaria colocando a lua finalmente em harmonia com meu sol natal. Que marte passou por alguma casa, nos ultimos dias que desestabilizou todo o meu céu.
Ah, horoscopo. Desestabilizou meu chão. Mas se você diz que foi o céu, quem sou eu pra discordar, você acertou tudo até aqui.
Só espero que continue acertando, e que a tal fase boa começe logo.
Que a boa noticia profissional venha logo.
E que a tal estabilidade emocional não demore, por que ando precisando de um pouco de calmaria pra tratar as feridas que a tempestade deixou.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Confissão em duas linhas

~
Na falta de dinheiro, o tempo é sacrificado.
Passei o dia costurando papel pra fazer um Moleskine

domingo, 13 de junho de 2010

Ansiosa, eu?

.
Surtei!
Passei o domingo
inteiro,
eu disse,inteiro,
imagindandoo que fazer
se o estágio não der certo.
Roí as unhas, arranquei

os cabelos, chorei igual
criança...


Juro, Tô bem não.
Eu sei, eu sempre soube
que na hora certa as coisas
se arranjam.
Mas hoje, precisei de ajuda
pra ficar calma, pra lembrar
que nem tudo se resolve
da noite pro dia.


E, como se eu já não tivesse
problemas suficientes,
a Tchella saiu, e deixou
um prato de docinhos.
Pra mim.
Não teve
altocontrole, sibutramina,
ou foto de vestido de
formatura que me convencessem a não atacar.



Agora, trinta chás de camomila,
uma bandeja de doces,
um anti-ansiolítico,
uma caixa de lenços,
um email pra Chico,
e cinco pro meu professor, depois
Sento pra escrever,
simuladamente mais calma,
e tentando parar de pensar
em o que fazer,
se o estágio não acontecer.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

meia duzia de bobagens desconexas, ou não

.
Pra mim não há duvidas, felicidade é estar numa loja de sapatos com o cartão carregado com seus dois ultimos salários. Por isso mesmo, a certeza de que, em dando certo o estágio, não vai ser uma boa eu ir fazê-lo como vou à faculdade. Moletom, calça com a barra por fazer e tenis.
Então fui obrigada a comprar sapatos. Comprei três de uma vez. Você pode imaginar o quento fui feliz, né? Mandei fazer a barra das calças, e já que era um momento esquadrão da moda, dei uma folga ao moletom e comprei umas blusas mas apresentáveis.
Isabella e Arlindo ficariam orgulhosos de mim.

Tive pré-banca do tcc essa semana. Quase infartei.
E sim, ninguém notou que eu só tenho 3 páginas escritas.
Simulação foreeeever!

Ali, na outra faculdade, rolou uma divisão de grupos...
Num grupo estava "ele", então eu não entrava de jeito nenhum, noutros dois grupos estavam a mais recente ex dele, e a atual outra dele, claaaro, também fora de cogitação. O quarto grupo tbém não era possibilidade. Sobrei!
Com a devida liberação pra fazer o trabalho individual, caprichei na minha mistura de conhecimentos publicidade e arte. Era um trabalho de dança, e eu, espertona que sou, bolei uma coreografia mega-master-power para 4 pessoas. Três eu gravei e juntei no editor de vídeo, projetei no cinema, e a quarta fiz ao vivo.
Com direito à crétitos no final:
Produção: Damaris Ballet Company
Ato de Abertura: Damaris
Primeira Bailarina: Damaris
Coro: Damaris; Damaris
E pra completar fui mega-master-power elogiada.
Ieeeei

Parece que eu em cena quatro vezes, mais a passagem pelo esquadrão da moda despertaram os olhares...
Meu cafa particular, segundo me contaram as más línguas, me encarava com a atual outra do lado. Não vi, pq nem olho mais.

Um dos meus sapatos novos é mal. Muito mal. Fez bolhas terríveis nos meus pés. Vou dar à ele só mais uma chance.

Desenterrei hoje uma blusa do tempo que me preparava para ser "esposa de pastor", com data marcada, e vestido escolhido. Ela passou bem uns três anos socada numa gaveta. Amanhã vou ver o que mais já está usável.

Encontrei uma pessoa no supermercado hoje, que não faço idéia de quem seja. Mas pelo jeito nos conhecemos muito bem. Conversamos tipo uns quinze minutos, mas ainda não lembro.

Passei no mercado comprar algo pra comer. E sim, comprei filé de peito de frango e uma quentinha cheia de salada. Não sei mais quem sou eu. Só me reconheço no fato de que eu jamais compraria uma beterraba, comprei a salada de beterraba pronta.

Juro, eu eu fosse ainda mais facinha, ah, eu pegava uma pessoa aí...

e Pra encerrar, um pensamento pra elevar o espírito:
Pior que passar o dia dos namorados sozinha
é passar o carnaval namorando...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Se não for com aquele pretinho eu não vou.

.
Quando eu era criança eu meio tinha umas crises com minhas roupas,
e se não fosse com aqueeeeela roupa específica eu não ia.
Claro que, como eu não tive essa educação modernosa q da voz à criança eu ia sim, com a roupa que minha mãe escolhesse e ponto...
Mas, recentemente, ando tendo essa crise denovo...
Desde que comecei a fuçar olhando uns vestidos que me vestissem, ou seja, teria q ser em lojas americanas, já que no Brasil, há uma tendencia de achar que se você está acima do peso, você só pode usar aqueles voals meio igreja pentecostal...
Mas, voltando ao assunto.
Combinei com minha tia, que eu escolheria o vestido, e ela traria pra mim.
Mas, ela nõa vem mais em julho, e,
quando ela vier em fevereiro o vestido não vai mais estar lá. E ela fica tendando me convencer que não é pra comprar antes, já que não como desde fevereiro pra ver se fico melhorzinha no vestido né, sim eu sei que ela tem razão.
Mas, eu amo ele.
E, e não for com esse vestido eu não vou na formatura.
Tá decidido.

Morro acima

.
Hoje acordei feliz,
só por que eu sei,
que não importa o tamanho das pedras que se tem que levar lá no alto da montanha.
A montanha é sempre a mesma.
E por mais dificil que seja arrastar lá pra cima as pedras, e quedepois dessa vem outra e outra e mais outras...
cada uma que eu acomodo lá no alto, dá um alívio danado, uma alegria tão recompensadora, que até dá vontade de olhar lá em baixo pra ver qual a próxima que eu tenho que trazer pra cima...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Adultização precoce

.
Antes de explodir uma coisa que está me incomodando a uma semana eu quero deixar duas coisas claras.

A primeira, é a de que não acredito no papo da inocencia infantil, criança não tem maldade, anjinho, que não mente, e todas essas coisas que se fala por aí. Só pra ilustrar esse fato, vou contar uma coisa que aconteceu numa festa que eu estava trabalhando. Um menininho, de menos de dois anos, veio correndo e se bateu numa porta. O braço dele imediatamente ficou roxo. Ele correu e mostrou pra mãe dele: Olha mãe, a palhaça me bateu. Enquanto tentava explicar pra mãe histérica que seu filho era um pequeno vigarista, pedi pra ela olhar pela porta de vidro que tinha atrás de mim, a cara de felicidade do pivete em ver a mãe dele quase saindo na porrada comigo.
A segunda coisa que quero deixar claro, é que sou contra essa mania de por todos os males do mundo culpar a mídia, a televisão, a globo. Os males do mundo tem umas cinco ou seis metades culpadas. Metade dos males do mundo vem de casa. Na escola, a gente cansa de ver pai cobrando de professor ensinar seu filho coisas que esse devia ter trazido de casa. Outra metade dos males do mundo é culpa da religião. Desculpa, mas incluo todas nessa. Duas décadas dentro de igrejas e só me restou o cinísmo. Outra metade a culpa é da escola, assumo, mas por escola entenda governo, ok... E, talvez o próximo da lista seja a mídia, mas não sei, deve ter mais alguém na frente.
Pronto colocado esse fatos, agora vou contar minha indignação.

Como já disse trabalho como palhaça em festas de criança, mas como depois dos cinco anos eles nos odeiam e nos batem (muito) quando é festa de criança maior não vamos de palhaço. Ainda fazemos o bom serviço mas sem gastar a voz, e sem apanhar.

Tive uma festa dessas na semana passada. Aniversário de nove anos. Baladinha num salão do melhor hotel da cidade. Fomos nós, de maquiagem psicodélica ganhar o pão nosso de cada dia.
Lá, umas trinta crianças dançavam na pista, comiam hamburguer, e piravam pelo cabelo colorido. A metade menina da festa pirava também pela maquiagem.

Até aí tudo normal, certo?
Tecnicamente.

Juro, nem nas festas mais piradas da faculdade, se vê os movimentos que aquelas meninas faziam. Aliás, a não ser que você tenham muita elasticidade e alongamento, nem na cama aqueles movimentos acontecem.

Era algo como a gaiola das popozudas no jardim de infancia.
Elas desciam até o chão, e lá rebolavam e esfregavam. No rosto, nenhum sinal de inocencia, mas, caras e bocas dignas de capas da playboy.
Elas não usam roupas coloridas e divertidas, aliás elas abominam cores, as roupas, minis e micros, eram jeans, preto, cinza, salto.

Na maquiagem, todas pediram o canto do olho mais escuro esfumaçado, blush, batom, máscara para cilios. Sim a maioria delas sabe que o nome é máscara para cilios e não rimel. É que são todas da high society. E que diferença isso faz?

Toda.
Por que quando é a pobrinha, dando pra caminhoneiro na rodovia, a gente não aceita, mas entende, que a situação social obriga elas a isso.
Mas juro, eu não sei explicar o que vi naquela festa.

Vi. Juro, eu vi: Uma delas chamar o DJ pra dançar com ela. Quando ele, constrangido disse que não e que tinha namorada, ela, com toda a sua cara sensual respondeu: Ela não está aqui, ela não precisa ficar sabendo.
Então o papo de que estão só reproduzindo o discurso da mídia não cola, porque tenho certeza que ao dizer isso, ela tinha muita noção do que estava dizendo.
Quando os homens da festa (fotografo, DJ, etc), constrangidos com a situação, passaram a evitar até olhar pra elas, elas passaram a se comportar de um jeito meio, meio clipe de rapper americano. Se esfregando, sim eu disse se esfregando uma na outra elas tentavam de todas as formas atrair os olhares.

Como disse meu colega, um pedófilo teria infartado ali. Não, não faço parte do discurso de que a ação destes é culpa do comportamento das crianças, a ação destes é doentia e ponto. O que estou dizendo é que qualquer pai e mãe com um minimo de bom senso deveria ter tirado a filha dali, nem que fosse na base da pancada.

Fico aqui pensando, em onde mora a culpa por uma situação dessas, porque provavelmente, a aniversariante e suas amiguinhas não são uma situação isolada no globo terrestre, aliás elas devem fazer parte de uma massa de crianças, que já passou do nível de sensualizadas e alcançaram o sexualizadas. Na familia? Na sociedade? No governo? Na mídia? Acho que todos tem sua parcela de culpa.

A família, se esconde na rotina corrida e não assume a responsabilidade. A mídia, que veicula crianças como a Maísa, ou aquelas do Raul Gil e faz parecer que é assim que crianças devem ser. Funk, Axébostamusic, e até meu querido rock, a musica veicula a sexualização, e elas crescem pensando que esse comportamento é o normal. Hanna Montana que me desculpe, mas nem disney channel hoje eu perdoo.
Jogo ainda a culpa no governo, que quando vai regularizar a mídia é sempre de modo ditatorial e político, por isso hoje não pode regularizar nada, nem o conteúdo que deveria ser filtrado às crianças.
Por fim jogo a culpa na sociedade, em mim e em você. E mim, porque bem deveria ter mandado aquele DJ desligar o rebolation e o tal do justimbibier e por Adriana Partipimpim pra tocar. Em você, porque eu bem aposto que nem sabe quem é Adriana Partipimpim, e acha uma graça um bebê imitando a dança de alguma mulher fruta, quebrando tudo no rebolation ou seja lá qual for a dança da moda.