segunda-feira, 26 de julho de 2010

cartas humanas

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Hoje as cartas que escrevi parecem sem sentido.
Re-li, e não parecem mais cartas de amor,
não soam nem relatos de dor.
Talvez não tenha sido mesmo um coração partido.

Eu as escrevia todos os dias.
Mas nunca tive coragem de enviar,
de alguma forma eu sabia que a dor iria passar.
E recomeçarmos nem fazia mais parte das minhas fantasias.

Fico pensando se você também me escreveu.
Ou como foi que você de mim se livrou,
se o amor um dia passou.
Eu nunca recebi nada do que você prometeu.

A minhas eu guardo quase que escondidas.
Pra que assim eu possa passar sem vê-las,
e evitar as tentações que vem com elas.
como troféu, como relicário da nossa relação falída.

O tempo não acumulou apenas cartas e anos.
Acumulou a certeza que nossas falhas,
nossos medos, nossos fracassos e nossas tralhas
foram carimbos no passaporte que nos fez humanos.

2 comentários:

Carolina Filipaki disse...

Ahhh... as cartas de amor! Eu ainda as escrevo... Não da forma como fazia antes. Só enviei uma. Tive sorte. Ele ainda a guarda como uma relíquia da adolescência... As de hoje são cartas para mim mesma, com este sentimento da certeza de que um dia tudo vai passar.
A última estrofe te faz merecedora de pelo menos 20 agendas! rs
Bjs

Dani Almeida disse...

Az vezes penso que as cartas são pra gente mesmo... nao pro outro. Sao desabafos e algo que muitas vezes nos leva ao sentimento de quando escrevemos.

Amei o texto!