quinta-feira, 18 de março de 2010

dez horas de voo

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É uma espécie de mania, embarcar naquilo que é óbviamente fadado ao fracasso. Como se a certeza de que não vai dar certo suprisse todas as outras necessidades de certezas.

Não há como não compará-los, um está lá, outro esteve aqui, um tem a alma que quero, o outro o corpo.

E sobre alma que está longe eu hoje fico a me fazer peguntas.
Porque dizer que se está junto, quando dez horas de voo nos separam?
Porque mesmo não podendo nos tocar, de alma somos fiéis. É isso?
Mas se antes havia alguém que comigo estava, mas ninguém podia saber, hoje ele não está, mas ainda assim todos podem saber que estamos sem estar.

Não que poder dizer "estou noiva" não tenha sido a mais reconfortante das coisas que disse desde setembro... Mas, foi quase como um dizer pra falar que segui a vida, pra dizer que sobrevivi. Afinal não me vejo assim, e bem no fundo nem estou mesmo.
Penso se segui a vida.
Porque atualmente, exceto pelas madrugadas movimentadas pelo skype, no mais a vida continua muito da igual.


Ao menos não me pesa a consciencia em me fazer perguntas, porque sei que lá, a dez horas de voo ele provavelmente se faz as mesmas perguntas. Afinal nós dois sabemos como andam nossas contas bancárias, sabemos que apesar das promessas, essas viagens beiram o impossível, e esse noivado, sei lá.

Nem eu consigo me levar a sério.

Adotamos um gato, divagamos sobre quem inventou o skype estar apaixonado, levamos nossos dias nas minucias dos detalhes, mas ainda assim não há o toque. Ainda assim, não há contato.


Que me falem os autores romanticos e seus amores a distancia, seus amores impossíveis, mas não sei se creio neles.

Não que eu não o ame, eu o amo. Mas não sou apaixonada por ele, e paixão é essencial.
Nem que ainda esteja apaixonada por aquele a quem hoje o destino me permitiu comunicar que estava noiva, nem o amo, mas ainda é mais fácil, em materia de me apaixonar de novo, que seja por esse corpo, e não por aquela alma.

E dai me pergunto,

como podemos estar noivos de novo se não estamos apaixonados? Que mania é essa nossa de sempre pensar em casar, quando nem nos ver conseguímos?
Por que afinal de contas, eu entro nesses relacionamentos fadados ao fracasso?

2 comentários:

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Maris,
A paixão é o sentimento que nos une de forma louca e cheia de desvarios ao outro.
Com o tempo, se transforma em amor. O amor é a base do relacionamento, é a ancora, a força.
É o alicerce que tece a teia do casamento.

Como saber que está fadado ao insucesso se tu o amas? Não é uma dicotomia?

Desculpe o texto grande, foi saindo direto.
Mas é o que penso.

Beijo moça. E se cuida.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Maris, gostei de suas "elocubrações" de pensamento. Está certo! O assunto é sério e tem que ser questionado. Falta, às vezes, aquele sentir que não sabemos explicar, mas que nos é essencial, né?
Adorei isso:
"Porque dizer que se está junto, quando dez horas de voo nos separam?
Porque mesmo não podendo nos tocar, de alma somos fiéis. É isso?
Mas se antes havia alguém que comigo estava, mas ninguém podia saber, hoje ele não está, mas ainda assim todos podem saber que estamos sem estar".
Bacana o seu questionamento. Faça isso pois a felicidade é sua!
Beijos com muito carinho. Manoel.