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É uma espécie de mania, embarcar naquilo que é óbviamente fadado ao fracasso. Como se a certeza de que não vai dar certo suprisse todas as outras necessidades de certezas.
Não há como não compará-los, um está lá, outro esteve aqui, um tem a alma que quero, o outro o corpo.
E sobre alma que está longe eu hoje fico a me fazer peguntas.
Porque dizer que se está junto, quando dez horas de voo nos separam?
Porque mesmo não podendo nos tocar, de alma somos fiéis. É isso?
Mas se antes havia alguém que comigo estava, mas ninguém podia saber, hoje ele não está, mas ainda assim todos podem saber que estamos sem estar.
Não que poder dizer "estou noiva" não tenha sido a mais reconfortante das coisas que disse desde setembro... Mas, foi quase como um dizer pra falar que segui a vida, pra dizer que sobrevivi. Afinal não me vejo assim, e bem no fundo nem estou mesmo.
Penso se segui a vida.
Porque atualmente, exceto pelas madrugadas movimentadas pelo skype, no mais a vida continua muito da igual.
Ao menos não me pesa a consciencia em me fazer perguntas, porque sei que lá, a dez horas de voo ele provavelmente se faz as mesmas perguntas. Afinal nós dois sabemos como andam nossas contas bancárias, sabemos que apesar das promessas, essas viagens beiram o impossível, e esse noivado, sei lá.
Nem eu consigo me levar a sério.
Adotamos um gato, divagamos sobre quem inventou o skype estar apaixonado, levamos nossos dias nas minucias dos detalhes, mas ainda assim não há o toque. Ainda assim, não há contato.
Que me falem os autores romanticos e seus amores a distancia, seus amores impossíveis, mas não sei se creio neles.
Não que eu não o ame, eu o amo. Mas não sou apaixonada por ele, e paixão é essencial.
Nem que ainda esteja apaixonada por aquele a quem hoje o destino me permitiu comunicar que estava noiva, nem o amo, mas ainda é mais fácil, em materia de me apaixonar de novo, que seja por esse corpo, e não por aquela alma.
E dai me pergunto,
como podemos estar noivos de novo se não estamos apaixonados? Que mania é essa nossa de sempre pensar em casar, quando nem nos ver conseguímos?
Por que afinal de contas, eu entro nesses relacionamentos fadados ao fracasso?
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quinta-feira, 18 de março de 2010
domingo, 6 de setembro de 2009
Como você chora?
Uma professora de dança nos fez ano passado uma pergunta que revolucionou muitos dos meus entendimentos de arte contemporânea, e por isso queria compartilhar com vocês a tal pergunta.
COMO VOCÊ CHORA?
Isso mesmo, a pergunta não é o que te faz chorar, quem, quando, onde, nem porque. Mas como. fisicamente falando.
Eu choro assim:
Eu tento me encolher, se estou deitada me encolho até ficar meio em posição fetal.
Meu rosto todo dói,
Hoje não mais, mas teve uma época que as lágrimas ardiam enquanto escorriam pelo rosto.
eu não tento secar as lagrimas, deixo elas escorrerem,
Meus ombros doem.
se estou sentada sento sobre as mãos,
se estou em pé é como se eu tentasse me abraçar.
Minha garganta dói,
e sinto uma profunda dor de cabeça quando passa.
Chorar é algo que fisicamente é muito profundo, repare, as pessoas se acabam, e depois fazem compressas nos olhos achando que isso resolverá suas caras choradas. Eu vejo se a pessoa chorou umas pela boca outras pelo nariz.
Alias remédio bom pra cara de choro é compressa de chá de camomila. Receita de casa com três mulheres, todas que quando desatam a chorar, é a noite toda.
Já contei que tem um certo tempo que não choro né. Estou guardando minhas lágrimas pra velórios e despedidas. Cansei de chorar porque alguém não retorna minhas ligações. Coisa de mulher que leva a sério os conselhos que ouve dos homens a sua volta.
Mas agora que você já entendeu a pergunta, me responda, como você chora?
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