segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fudeu - versão Bruninha

Domingo costuma ser um dia deprimente. Não sei pra vocês, mas meus domingos são tão sem graça, sem ânimo, sem coisas interessantes que chegam a frustração. E ainda, levando em consideração que eu moro em Guarapuava, domingos são nublados quando não são chuvosos, e esse fator não ajuda muito.
Ontem, tinha tudo pra ser mais um típico domingo nublado.

Estava cansada de ficar jogada na cama assistindo sei lá o que na TV.
Resolvi falar com a minha companheira de palhaçadas, de histórias inusitadas, de amores impossíveis e de domingos de solidão.
Bruna: Maris, vamos sair!
Beleza.
Eu só fiquei sabendo do nosso destino quando ela chegou na minha casa: Salto do São Francisco.
É lógico que eu não contei pros meus pais pra onde eu estava indo. Antes de não deixar, meu pai teria um infarto só de pensar que eu iria pro salto de são franciso de moto com a Damaris (ela costumava ser uma motoqueira um pouco louca, coisa do passado). Então eu disse com a maior normalidade do mundo: Vou dar uma voltinha e já volto. (o já volto que foi a merda)

Uhull, tudo tão lindo, verde, campo, araucárias a paisagem da 'viagem' era maravilhosa. Depois de um tempo eu estava com bastante dor na bunda e nos braços, é 1:10h em cima de uma moto não foi facil, mas valeu a pena.
Que lugar lindo! Nossa, tiramos muitas fotos (mesmo meu cabelo estando uma porcaria), nos pinduramos em árvores, quase cai dentro d'água (bem coisa minha mesmo), sujamos os tênis de lama, lemos todas as plaquinhas explicativas e quase nos enfiamos numa trilha no meio do mato. O lugar é lindo, mas não é uma coisa pra ficar o dia inteiro. Vimos as duas cachoeiras e já estavamos voltando, afinal de contas, era só uma voltinha.

Ótimo, só faltava um solzinho pra ser perfeito o nosso passeio.
Que nada, não sei se foi um infortúnio do destino, uma piada de Deus ou apenas a consequência de duas motoqueiras desastradas.

Depois de fazermos o xixi tão esperado fomos para a o estacionamento, estavamos saindo do parque quando a Maris sentiu algo estranho. A gente desceu. Adivinhem... o pneu tava totalmente murcho, devia estar furado. E agora? pensei. Agente se olhou, as duas com vontade nítida de chorar (primeira reação feminina a um problema: chorar) e ao mesmo tempo querendo manter a calma.

Tinham dois rapazes que trabalhavam no parque, de vigia.
Damaris: Prepare seu melhor rostinho meigo.
Bruna: ahaam, só na tua cabeça mesmo!

Lá foi ela, eu fiquei um pouco pra trás, ela explicou o que tinha acontecido pros carinhas e perguntou se não tinha como eles nos ajudarem. Segundo eles, ajuda mais proxima a 4km.
Damaris: Fudeu.
Bruna: Fudeu?
Damaris: Fudeu!
Bruna: iiiii, fudeu!!

Eles ficaram assustados com tanto palavrão saindo da boca de moças tão doces. Eu confesso que geralmente eu não falo palavrão, ah mas vá toma no cu, a situação pedia néh!?

Não pegava celular, não tinha um bendito telefone, e mais ninguém naquele lugar. Então nós emploramos pros moços que nos ajudassem, a Damaris, cara de pau, chegou a pedir a moto de um deles emprestado. Então eles resolveram ver o que tinha dado na moto. É, o pneu tava furado, eles não tinham nada ali pra arrumar, muuuito menos nós duas.

Era troca de turno dos dois, e eles moravam ali perto. O Sérgio se ofereceu para levar o pneu à casa dele e arrumar, é obvio que nós aceitamos e ficamos muito aliviadas.Lá foram eles desmontar a moto. Enquanto isso ficamos pensando: será que enquanto nós ficamos brincando de boneca no recreio os meninos aprendem mecânica? Eles tiraram a roda e o Sérgio se foi com ela. Ficamos lá, Laureci, Maris e eu. Laureci nos comtou que ficava lá a noite inteira sozinho, sem TV, sem computador, sem poder durmir, sem nada, não sei como mantém a sanidade. Fizemos algumas obras de arte com uns arames e lemos um memorex que carrego na bolsa(coisa de vestibulanda neurótica).

De repente, ouvimos um barulho, era de carro se aproximando. Sérgio tava chegando, sério que eu vi nele a imagem de um principe vindo nos salvar. Ele desceu com aquela roda na mão, o pneu estava cheinho. Fiquei até com vontade de dar um beijo nele de tão feliz que eu fiquei. Mas, ele disse que tinha duas noticias pra nos dar, uma boa e um ruim. Minha vontade de beijá-lo passou. Ele nos contou que tinha arrumado o pneu, tinha feito uns remendo no furo, mas tinha perdido a roseta no meio do caminho (não faço idéia do que é a tal da roseta).
O que iamos fazer, que merda, meu pai ia nos matar.
Sérgio viu nossa aflição e ofereceu carona até o Guairacá, de lá poderiamos ligar pra alguém vir nos buscar. E tinhamos outra escolha?... Lá fomos nós duas apertadas num pampa.
Silêncio nunca foi o nosso forte, resolvemos contar a nossa vida pra sérgio, um km pra cada.
Uma neblina desgraçada, e eu cagona do jeito que sou nem queria olhar muito a estrada, vai que aparecia a tal mulher de branco no meio da pista.
Em certo ponto da estrada paramos em baixo de uma árvore, o único lugar em toda a região em que o celular tinha sinal. Lá foi a maris ligar pra irmã dela, ótimo, nada dela atender. A essas horas já tava quase caindo a lágrima tão segurada.
Damaris: o Digo vai vir nos buscar.
Bruna: uff

Bruna e Damaris: obrigada Sérgio, valeu mesmo.
Ficamos, nós duas, em frente o orelão, no relento da noite num fim de mundo.
deu tempo de ensaiar tudo que eu ia contar em casa se meu pai não me matasse antes de eu entrar. Andamos um pouco, e depois de algum tempo chegou o carro da esperança. Finalmente, certeza de estar indo pra casa. Fim.










Aaahhhhhhh
O que aconteceu quando eu cheguei em casa?
Menti... é, eu odeio mentir pros meus pais mas podem estar certos que foi o melhor a se fazer. Se eu contasse a verdade, meu pai só deixaria eu sair da prisão domiciliar para o enterro da Damaris, o qual ele mesmo providenciaria.

4 comentários:

Belle disse...

Nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... que cilada hein!!!
O bom disso tudo é que depois que passa, fica uma história e tanto p/ contar!!!!
Ainda bem que tudo deu certooooo...
Bjos

Sacha disse...

hdiauhsdiusahdiusahdiusahd.
Doiiideeraaa.
Maais penseee deve ter sido muito emocionante. kkkk
Bruninha E Damaris As Desbravadoras.

Beijosss.

Daiane Pereira disse...

tomorrendoderiraqui

vou ler de novo não acredito que aconteceu tudo isso,justo contigo Bru, tão responsavel, e a Maris tão organizada hhheheheh brincadeiras meninas ;D adorei a aventura de vcs huulll legal ;D

Ronny disse...

HAUSUASHUAuhshu mas olha só, e eu não conhecia o lado MOTOQUEIRA REBELDE da bruna. QUE HISTORIA! Senti o nervosismo, o alivio daki! :) Mas é feio mentir bruna de 16 anos :P