quinta-feira, 14 de maio de 2009

O não pertencer

Permita-se-me que hoje eu te conte algo.
O não pertencer tem me sido recorrente. Penso que é algo que eu queria, e não queria, mas ainda não sei, nem é sobre isso que hoje quero falar... Quero falar sobre um algo, um alguém que eu nao pertenço mais, ou que não me pertençe. Não sei.
Acho mesmo que o mais dificil de deixar algo pra traz, é não ter pra quem contar. NÃO, não é com quem contar, é diferente, é pra quem contar. Sim me refiro a ele mesmo, o todo poderoso.
Ontem por exemplo, eu cheguei em casa e minha vontade era de contar pra ele as trezentas e vinte seis mil duzentas e noventa e sete coisas que haviam acontecido no meu dia. Mas aquela sensação (ou dessa vez finalmente era um senimento?) de que ele não me ouvia vinha denovo cortando a alma. Como pode aquele que sempre me escutou chorar ao pé do ouvido agora me sinalizar de longe?
Eu bem sei que não é o não ter com quem contar que me parte o coração, porque no fundo eu sei que na hora do aperto eu posso sim, mas é o pra quem contar que me dói.
Queria contar, contar tudo pra ele até fazer sentido,
aff
mas é como se eu estivesse falando com as moléculas de ar à minha volta.
Não sinto pena dos ateus, nem daqueles que por escolha não querem a Deus. Sinto pena daqueles que como aquele homem que se coçava com cacos de vidro viram o objeto da sua fé dar alguns passos e assim se distanciar deles. Lutar para mantar a fé, quanto o objeto dela não se sente, querer continuar crendo quando não o mundo, mas o próprio Deus parece te desacreditar.
Manter-se fiel quando não há mais sentido nisso tudo.
Crer em algo que agora se parece mais com um conto de fadas que com a minha própria história. Isso é fé.
Então amigos, por favor não me digam que teem fé no pequeno santo da sua parede que você pode ver, nem nas oraçoes que você sente foram ouvidas, no no conforto que você me diz sentir ele trazer a sua alma, me digam terem fé, quando sentirerem que o próprio Deus se afastou de você, mas mesmo assim, você permanecer na sua fé.
É a esse pertencer que me refiro. esse que tanto, tanto me dói. Dói mais que corte de papel, mais que coraçao partido, mais que enxaqueca, mais que cólica, mais que furar o pé com um prego. Dói, por que é dor de fé.

3 comentários:

Anônimo disse...

lindo... é nestas horas que vemos quem somos... sem ninguém, sem poder contar com alguém (ou poder contar para alguém no seu caso). mas menina, às vezes temos que nos afastar um pouco de todospara podermos ver tudo de um angulo diferente.. solidão é ruim toda hora... mas às vezes pode até ser bom!!!

=***

Maris Morgenstern disse...

anonimo...
vc ganhou uma fã.
acho q é isso mesmo, tudo uma questão de perspectiva. ver as coisas por outro angulo.

Gabriel Cayres Bil disse...

Espero que você tenha conseguido reencontrar a Deus... Ele sempre está buscando você, apesar de muitas vezes não estar claramente perceptível.