domingo, 6 de setembro de 2009

A caixa de doces.

A gente (Bruna e eu) é palhaça.
Tá, não palhaça dessas que fica falando bobeira na sala de aula, falamos mas nao é disso que se trata,
somos palhaças por profissão.
Todo (...) sabado vestimos nossas roupas coloridas, passamos na cara pancake zanphy e tinta colorida, vestimos um sorriso que precisa durar pelo menos cinco horas colado na boca, vamos ao trabalho.
Festas infantis.
Apesar de toda minha achancia de que são um ralo de dinheiro, afinal, a criança nunca vai lembrar da festa, e desse primeiro ano de vida ficam os traumas pra vida toda, mas não a lembrança da festa. Mas, enfim, o ralo escoa pro nosso lado então a gente aproveita né.
Só tem noção o que é trabalhar com criança quem já passou por isso, e nem é aquele cansaço de ficar com o sobrinho uma tarde, são trinta, quarenta crianças todas merecendo ritalina no refrigerante.
Borboletas, corações, batmans, homem aranha, caveira, simbolo do inter, tudo a gente desenha na cara, braço, pé, perna e outras partes que eles sugerirem.
Depois veem os moicanos, os cabelos verdes como do huck, as puccas e as princesas.
Quando o cansaço bate é hora de pular na cama elastica até as varizes explodirem nas pernas, e depois correr no inflável até sentir que se está desenvolvendo asma ali, naquele mesmo momento.
Ai bolo. "Parabéns pra você, nessa data querida, muita felicidade (isso mesmo não é muitas felicidades, não existem felicidades) muitos anos de vida" o que se segue é uma das oito ou nove variações de parabéns que já conhecemos. Pra avacalhar eu sempre puxo um "com quem será..."
Ai é hora de arrebendar os dedos fazendo escultura de balão, cachorros, espadas, girafas, cavalos, flores, mochilas, borboletas, cinto de utilidade e tudo mais que alguém conseguir imaginar a gente retorce nos balões.
Quando o povo começa a ir embora a gente começa a encher uma caixinha especial.
É a caixa dos doces.
No começo ela era mais especial, afinal docinho de festa não se vê todo final de semana, mas com o tempo passamos a ver,
Mas continuamos a enche-la.
Um pouco porque nossas familias já esperam pelos doces, outro pouco pela adrenalina de enche-la sem ninguém notar.
Fico pensando que se falassemos com os donos da festa eles super deixariam nós pegarmos os doces, afinal não é uma caixa de sapatos, é uma caixa relativamente pequena. Então o que nós fazemos é enche-la do que eles nos dariam mesmo, mas com o cuidado e discrição de quem rouba um banco.

Deviamos ser assim em tudo. Ter uma caixinha colorida pra guardar os doces da vida, afinal as pessoas não nos negariam essas alegrias, e esse pouquinho de felicidade que colhemos aqui e ali não faz falta, afinal felicidade dividida se multiplica, e nós ficamos com aquela sensação de estar conseguindo algo proíbido, afinal nesse mundo besta, ser feliz as vezes é quase um erro.

Nossa caixinha já está vazia, já se foram os doces da festa de hoje, mas na da alegria eu tento hoje deixar com uns brigadeiros dentro. É sempre bom ter um brigadeiro de alegria pra quando o pão com manteiga do dia-dia acabar...

8 comentários:

Francisco disse...

Se precisarem de alguém vestido de Popeye para ajudar, já sabem aonde procurar! rsrsrs
Concordo com você. Sempre é bom guardar um brigadeiro. Têm horas que ele será extremamente útil!
Beijãozão, lindona!

Roberto Ney disse...

ser palhaço é dar valor ao que mais importa na vida... a simplicidade e a imponência de um sorriso.
Todos nós dveriamos pintar o rosto, escancarar o sorriso, e cobrir com tinta, nossas lágrimas.

beijos!

Paula disse...

Que delicioso!!!
E meu Deus, que assustador também! 30, 40 crianças, todas juntas!! É lindo, impetuoso, um louco aprendizado, mas nossa, assustador!...rs
Quero uma caixinha de alegria! Vixe se quero!
Um beijo!

Carol disse...

Hmmm... que delícia!
Tanto as alegrias da vida quanto os doces!
Não sabia desta sua nova profissão.. mto legal!
Sobre trabalhar com crianças, eu tenho as minhas e sei que o veneno no refri é um desejo real! hahahah
bjs

meus instantes e momentos disse...

muito bom.
Gostei do texto.
Gostei daqui.
maurizio

***MissUniversoPróprio*** disse...

Hum...primeiramente obrigada pela visita e coment lá no blog, seja sempre bem vinda! ;)

Realmente, a maior intenção desse afastamento é exatamente essa: permitir que ele descubra que (ou se!) sente minha falta. E, enquanto eu espero, aproveito pra analisar à distância. ;)

Depois quero dizer que também gostei daqui, e que essa 'profissão-palhaça' é uma linda forma de encher a caixinha de alegria de várias pessoas. O mundo precisa de cor no cinza do dia a dia!

Bjos e ótima semana! :)

airlon disse...

peraí, peraí! Quer dizer que:

'não existem felicidadeS'?

quer dizer que mamãe mentiu pra mim??? Tenso...

APS

Tarini disse...

Ai q coisa mais fofa!
Amo crianças....
E me visto d palhaça tbm p/ alegrar elas, mas no hospital, aond elas naum estão nada felizes dai é trabalhoso tirar um sorriso!

Agora o trabalho de vcs devem ser cansativo demais, aguentar elas com toda aquela alegria, disposiçao...deve encher o saco!!
hsauhsua

Bjos..
Mto bom o texto!